Sociedade de Instrução Tavaredense

CASA DA CÂMARA DE TAVAREDE
Chá de Limonete - 1950

"Estamos em frente da casa chamada, não se sabe se com razão, da Câmara de Tavarede. Os aventais das pedras das janelas são os mesmos, e é a mesma a escada de pedra correndo ao longo da fachada que olha para nascente; mas em vez do pano de cantaria que hoje borda a escada, há uma grade de ferro". (1º acto - 9ºquadro)

Não há nenhum documento que localize a Câmara de Tavarede nesta velha casa. Pelo contrário, vários são os investigadores que situam o edifício camarário, juntamente com a alfandega e os celeiros, adega e casas da renda na rua principal, perto do Largo da Igreja, no local hoje ladeado pelas Ruas A Voz da Justiça, da Renda dos Crúzios e Largo de Santo Aleixo.

Foi o Rei D. Sancho I que instituiu Tavarede em Couto. Na "Carta de Confirmação dos Coutos e Jurisdições da Sé de Coimbra" o Rei D. Pedro I ordena que "na vila de Tavarede tragam a jurisdição civil e os feitos criminosos os ouçam e livrem em Montemor-o-Velho" e no ano de 1516 foi dado Foral a Tavarede por D. Manuel I.

No livro "As Alfandegas", o Dr. José Jardim escreveu: "O lugar da Figueira fazia parte do Couto de Tavarede, doado ao Cabido da Sé de Coimbra por D. Sancho I. O Couto tinha a sua câmara, com sede naquela povoação. Ali funcionou ela durante um muito longo período de anos, composta de homens do lugar. A Figueira ia, porém crescendo em construções, em movimento comercial e marítimo e em população que, em 1770, regulava 2500 habitantes. Pelo contrário, Tavarede declinava e diminuía de importância. Natural é que paralelamente com estes movimentos, se fosse produzindo como que infiltração de homens da Figueira na administração municipal. Numa dada ocasião, os vereadores da Figueira constituiram a maioria, senão a totalidade da Câmara; e então ela passou, naturalmente, a reunir na povoação em que eles residiam, muito superior em importância à antiga sede do Couto".

Para o Dr. Rocha Madahil, no seu trabalho "A mudança da câmara da Tavarede para a Figueira", a transferência, que foi decretada pelo Rei D. José, em 12 de Março de 1771, foi a maneira hábil do Marquês de Pombal acabar com a longa contenda travada pelos fidalgos de Tavarede contra a Sé de Coimbra, que tanto prejudicou a povo da povoação.

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