FONTE DE TAVAREDE
Chá de Limonente - 1950
"E, se murmura, nunca diz mal de ninguém..."
A fonte de Tavarede, um dos "ex-libris" da terra do limonente, desde há longos anos que tem sido evocada no nosso teatro. Foi construída em 1876, tendo sofrido obras de melhoramento nos anos de 1927, 1954 e, por último, em 1993, esta após um período de encerramento de cerca de vinte anos.
A sua água, puríssima e fresca, era avidamente procurada. Em tempos já um pouco distantes, nas cálidas noites de verão e quando a Figueira recebia, para férias, grande colónia espanhola, a fonte era visitada diariamente por muitos destes visitantes, que aqui vinham abastecer-se. Depois de cheias as vasilhas, por ali se quedavam sempre um pouco, ouvindo as cantigas que, frequentemente, eram cantadas por grupos de amadoras e amadores do nosso teatro, lá reunidos para saborearem a frescura apetecida, ouvindo o cantar da fonte e aspirando o ar puro perfumado com o limonete as várzeas.

Inspirou poetas, como Cardoso Marta, autor das lindas quadras que se encontram nos painéis de azulejos embutidos nas paredes que ladeiam o alpendre da fonte. João Gaspar de Lemos Amorim, escritor e poeta figueirense, que adoptou, para residir, a nossa terra e que vive até à sua morte em 1941, foi outro seduzido pela fonte de Tavarede. Autor de várias peças teatrais, algumas propositadamente escritas para a nossa Colectividade, escreveu para a sua fantasia "Pátria Livre", levada à cena em 1926, a "Canção da Fonte e suas Bilhas", que o Maestro António Maria de Oliveira Simões musicou. Ainda hoje, quase 80 anos depois, frequentemente esta cantiga se ouve cantada, sempre com alegria e ternura:
"Mato a sede a toda a gente,
E às avesinhas do céu;
À minha água transparente
Ninguém faz cara de réu........"